O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) registrou 968 transações entre janeiro e setembro de 2026, que movimentaram US$ 49,19 bilhões. Os dados são do relatório do terceiro trimestre da TTR Data, elaborado em parceria com a Datasite e divulgado no fim de outubro. Na comparação com o mesmo período de 2025, o número de operações caiu 31%, enquanto o capital mobilizado subiu na mesma proporção.
Com o resultado, o Brasil manteve a liderança do mercado de M&A na América Latina, que somou 1.720 transações e US$ 78,8 bilhões no acumulado do ano. O movimento confirma uma tendência observada desde o primeiro trimestre: menos negócios fechados, mas operações de maior porte e investidores mais seletivos na escolha das empresas.
Para especialistas do setor, esse cenário aumenta a importância de preparar uma empresa para crescer e atrair investidores antes mesmo de buscar capital. Organização societária, governança, planejamento tributário e controles financeiros estão entre os pontos analisados por fundos e compradores antes de uma proposta.
Estrutura societária entra na análise
A forma como a empresa está organizada, quem são os sócios e quais responsabilidades cada um assume costuma ser um dos primeiros pontos verificados em uma negociação. Quando essas definições não estão claras, conflitos internos podem travar decisões e afastar novos parceiros.
O acordo de sócios é apontado como um dos instrumentos centrais nesse processo. O documento pode estabelecer regras para entrada e saída de sócios, critérios para distribuição de dividendos, condições para venda de participações e procedimentos em caso de impasse. Para o investidor, saber como eventuais disputas serão resolvidas reduz a incerteza da operação.
Governança e transparência
A adoção de práticas de governança corporativa tende a diminuir a dependência dos fundadores e a profissionalizar a gestão. Indicadores de desempenho, relatórios financeiros periódicos e controles internos ajudam o comprador a entender a capacidade de geração de caixa e os riscos do negócio.
Em empresas familiares, a separação entre as decisões da família e as da empresa, com papéis definidos para gestores e sócios, é uma das medidas mais citadas por quem atua no setor.
Tributos e due diligence
Antes da venda de uma participação ou da entrada de um fundo, a empresa costuma passar pela due diligence, etapa em que são examinados documentos societários, contratos, demonstrações financeiras, obrigações tributárias e eventuais contingências jurídicas. Inconsistências fiscais e contábeis encontradas nessa fase podem levar a ajustes no preço ou até inviabilizar o negócio.
Por isso, o planejamento tributário feito dentro da legislação e a escolha adequada do regime de tributação influenciam diretamente a rentabilidade e o valor da companhia. Uma estrutura fiscal inadequada pode gerar passivos e comprometer o fluxo de caixa.
O que pesa no valuation
O valuation, processo que estima o valor econômico de uma empresa, considera faturamento, rentabilidade, geração de caixa, perspectivas de crescimento e posicionamento competitivo. Entre os métodos mais usados estão o fluxo de caixa descontado, a comparação com múltiplos de mercado e a análise de transações semelhantes.
Receitas recorrentes, contratos bem estruturados, controles financeiros confiáveis e menor dependência dos fundadores são características valorizadas pelos investidores. A previsibilidade dos resultados e a capacidade de expansão também entram na conta, ao lado do faturamento.
Assessoria especializada
Como a preparação envolve áreas jurídicas, financeiras, societárias e estratégicas ao mesmo tempo, empresários que planejam captar recursos, expandir ou vender o negócio costumam buscar apoio especializado. Um dos profissionais que atuam nesse segmento é Rodrigo Valverde, que apresenta seu trabalho em https://rodrigovalverde.com.br/.
Com 20 anos de experiência como empresário e mais de 500 operações de fusões e aquisições concluídas, Rodrigo trabalha com uma abordagem que reúne o jurídico, o estratégico e o capital em uma única visão, analisando não apenas a situação atual da empresa, mas também suas oportunidades de valorização e expansão.
Em 2025, segundo levantamento da Aon, da TTR Data e da Datasite, o Brasil havia registrado 1.877 transações de M&A, que somaram US$ 56,41 bilhões. Com o ritmo de 2026, o valor movimentado até setembro já se aproxima do total do ano anterior.






